
Em uma publicação no X na quarta-feira, Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), disse que as medidas "estabelecem um precedente perigoso" e correm o risco de empurrar as operações de socorro de Gaza ainda mais perto do colapso.
"Vindo na esteira da legislação anti-UNRWA, essas restrições fazem parte de um padrão preocupante de desrespeito ao direito humanitário internacional e crescentes impedimentos às operações de ajuda", declarou o chefe da UNRWA.
As observações vêm depois que Israel aprovou legislação que permite às autoridades do regime cortar água, eletricidade, combustível e comunicações para instalações da UNRWA e permite a expropriação de propriedades da ONU na Jerusalém Oriental ocupada, incluindo a sede da agência e seu principal centro de treinamento vocacional.
Na publicação, Lazzarini também apelou à comunidade internacional para resistir aos esforços israelenses de restringir o trabalho de organizações humanitárias e instituições de caridade internacionais.
"Não resistir às tentativas de controlar o trabalho das organizações de ajuda irá minar ainda mais os princípios humanitários básicos de neutralidade, independência, imparcialidade e humanidade que fundamentam o trabalho de ajuda em todo o mundo", disse o funcionário da ONU.
Israel proibiu 37 organizações humanitárias internacionais de operar em Gaza, incluindo grandes grupos como Médicos Sem Fronteiras (Médecins Sans Frontières – MSF), CARE, Ação Contra a Fome, afiliadas da Oxfam, o Conselho Norueguês para Refugiados, World Vision e Caritas.
Sob as novas regras, qualquer grupo ou membro da equipe que for considerado ter apoiado boicotes a Israel, questionado a conduta militar israelense, negado a operação liderada pelo Hamas em 7 de outubro ou apoiado processos judiciais internacionais contra funcionários israelenses pode ser impedido de operar em Gaza.
Israel também proibiu a UNRWA de operar nos territórios ocupados depois de acusar alguns de seus funcionários de estarem envolvidos na operação Tempestade de Al-Aqsa em outubro de 2023.
Apesar de repetidos pedidos da UNRWA para que o regime israelense forneça evidências que sustentem suas alegações, a agência não recebeu resposta.
A agência da ONU tem enfrentado turbulência financeira crescente desde que Israel lançou uma campanha de difamação contra ela.
Enquanto isso, na quarta-feira, o movimento de resistência palestino Hamas também condenou severamente a "decisão da entidade sionista de revogar as licenças de organizações de socorro internacionais" que operam em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
O grupo palestino afirmou que essa escalada é "uma tentativa flagrante de usar a ajuda como arma e aprofundar a catástrofe humanitária fabricada por Israel."
O Hamas pediu ação internacional urgente para deter essa "política de punição coletiva e fome."
Apesar de um cessar-fogo, as autoridades israelenses rejeitaram múltiplos pedidos de organizações internacionais para levar ajuda humanitária para Gaza.
Em uma decisão de 22 de outubro, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou que Israel permitisse a entrega de ajuda humanitária à sitiada Faixa de Gaza, sublinhando sua obrigação legal como potência ocupante de garantir que os palestinos tenham acesso a bens essenciais para a sobrevivência.
https://iqna.ir/en/news/3495923