
O Sagrado Alcorão não relata a história do Bani Isra'il meramente como contos do passado, mas como um espelho para o presente.
O Versículo 246 da Surah Al-Baqarah narra que após o Profeta Moisés (AS), o Bani Isra'il, vivendo sob opressão e exílio, pediu ao seu profeta que nomeasse um comandante para liderá-los na batalha. No entanto, logo depois, enfrentaram várias provas e etapas de purificação.
Quando o seu profeta nomeou Talut (Saul) como seu comandante, objetaram, dizendo que ele não tinha riqueza nem estatuto. O seu profeta lembrou-lhes que, primeiro, foi Allah quem o escolheu, e segundo, que ele possuía tanto o conhecimento como a força física necessários para a liderança (Versículo 246 da Surah Al-Baqarah).
Mais tarde, quando o exército chegou a um rio com sede, Talut declarou que não deveriam beber dele exceto tomando um punhado com as mãos. Quem se abstivesse de beber era considerado entre os seus seguidores — "pois ele é verdadeiramente de mim" — e quem bebesse livremente não era — "pois ele verdadeiramente não é de mim" (Versículo 246 da Surah Al-Baqarah). Os que beberam apenas com um punhado ficaram entre os dois grupos.
Na etapa seguinte, ao confrontar Jalut (Golias) e as suas forças bem equipadas, muitos, vendo o número e a força do inimigo, disseram: "Hoje não temos poder contra Golias e as suas tropas." Mas outros, inspirados pela perspetiva divina, proclamaram:
"Quantas vezes um pequeno grupo superou uma força poderosa com a permissão de Allah! E Allah está com os pacientes." (Versículo 246 da Surah Al-Baqarah)
Esta história mostra que o sucesso numa prova apenas não é suficiente. Alguns rejeitaram a liderança por preconceito mundano; outros falharam a prova de permanecer pacientes face à sede; outros ainda perderam a coragem ao enfrentar o inimigo.
Apenas os que aceitaram a orientação do líder escolhido por Allah, evitaram a riqueza ilícita e se mantiveram firmes na batalha com dignidade e perseverança foram os que verdadeiramente mereceram a promessa de uma vitória completa.