Ele destacou que possuir uma bela voz não isenta ninguém de responsabilidade quando passa a fazer parte de um discurso que ataca os oprimidos ou se cala diante dos agressores.
Karbalayi: Quando um recitador famoso se alinha com um discurso político que justifica a agressão americano-sionista ou ataca um grupo islâmico conhecido por sua postura anticolonial, isso representa um exemplo extremamente preocupante desse hadith.
O Alcorão não é apenas um conjunto de palavras para serem recitadas, mas um projeto moral e uma posição civilizacional. Um Alcorão que convoca à defesa dos oprimidos e à rejeição da opressão não pode ser compatível com um discurso que legitima assassinatos, cercos e agressões contra povos da região. O verdadeiro perigo está em usar o Alcorão como ferramenta em um discurso que contradiz sua essência.
Karbalayi: O primeiro dever é deixar claro que o Alcorão não se limita à recitação. Um verdadeiro recitador é aquele cuja posição diante dos problemas da comunidade muçulmana é moldada pelos versículos do Alcorão.
A comunidade corânica não pode permanecer em silêncio quando a fama de alguém é usada para justificar agressões ou atacar aqueles que sacrificaram muito pela independência da Ummah.
Também é necessário apresentar modelos que unam bela recitação com consciência moral e doutrinária, para que as pessoas não sejam influenciadas apenas pelo som, sem compreensão.
Proteger os ensinamentos do Alcorão hoje é uma grande responsabilidade, pois o desvio vindo de figuras influentes pode ter um impacto mais grave do que o desvio político de pessoas comuns.
Karbalayi: Ter uma bela voz não significa necessariamente ter profundidade de visão ou equilíbrio. Crenças e contextos políticos moldam pensamentos e escolhas.
Quando alguém é influenciado por um ambiente que vê o chamado eixo da resistência como um inimigo maior do que os ocupantes, é natural que adote discursos contra o Irã e se alinhe com regimes que evitam confronto direto com projetos americanos e sionistas.
Por isso, vemos posições duras contra o eixo da resistência, contrastando com silêncio ou fraqueza diante da destruição, mortes e cercos em locais como Gaza, Iêmen e Iraque.
Karbalayi: É necessário reconstruir a relação com o Alcorão com base em reflexão, compreensão e compromisso, e não apenas na beleza da voz.
A Ummah precisa de recitadores que vivam o Alcorão antes de recitá-lo, fazendo de seus versículos um guia para a ação.
Devemos formar gerações que entendam que o Alcorão conecta recitação com justiça, memorização com consciência e beleza da voz com aperfeiçoamento moral.
O desvio mais perigoso é elevar a voz do Alcorão enquanto sua essência não se manifesta na prática.
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