
O Secretário-Geral do Conselho de Fatwa Sueco, Dr. Hassan Musa, classificou como "problemática" a iniciativa do governo de abrir mão do termo islamofobia e substituí-lo pela expressão "racismo contra muçulmanos".
Ele argumentou que os esforços para lançar dúvidas sobre o termo ou esvaziá-lo de significado não mudam a realidade do ódio e da discriminação enfrentados pelos muçulmanos, conforme relatado pelo site Roz El-Yousef.
Os comentários de Musa vieram na esteira da polêmica em torno da postura do governo sueco e após a Ministra das Relações Exteriores, Maria Malmer Steinergaard, ter declarado ao parlamento que a palavra "fobia" pode sugerir medos irracionais de indivíduos, em vez de focar na discriminação e no racismo contra muçulmanos. Ela também argumentou que o termo poderia ser confundido com críticas às religiões, algo que o governo não pretende restringir.
Negar o fenômeno da islamofobia não é muito diferente de negar qualquer forma de racismo, enfatizou Musa.
"O problema não é o termo em si, mas as realidades cotidianas que os muçulmanos vivenciam em vários países europeus", afirmou.
Observando que os muçulmanos enfrentam formas crescentes de discriminação e preconceito, ele disse que alguns são atacados por causa de seu nome, do véu da esposa ou de suas práticas religiosas, enquanto mais de 1,5 bilhão de muçulmanos foram reduzidos à imagem de "terrorista em potencial" — o que não pode ser considerado liberdade de expressão, mas sim "ódio velado".
Musa destacou que a designação do dia 15 de março pela ONU como o Dia Internacional de Combate à Islamofobia indica o reconhecimento internacional de que o ódio e a discriminação contra muçulmanos são um fenômeno real, e não uma ilusão, como alguns afirmam.
Criticando uma "contradição moral" no tratamento das questões de liberdade de expressão, ele explicou que defender os muçulmanos é às vezes apresentado como uma ameaça à liberdade de expressão, enquanto insultos e retórica inflamatória são justificados em nome dessa mesma liberdade.
O secretário-geral do Conselho de Fatwa Sueco afirmou que, embora seja um direito legítimo criticar ideias, demonizar uma religião inteira e tornar seus seguidores alvo permanente de medo e ódio não pode ser considerado simplesmente crítica intelectual — ressaltando que se trata de uma forma de incitação e exclusão.
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