
O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha (MCB), em uma declaração no domingo, condenou o esfaqueamento de dois homens judeus em um bairro do noroeste de Londres com grande população judaica, afirmando que se solidariza "com a comunidade judaica que enfrenta um aumento repugnante do antissemitismo".
O MCB, o maior organismo guarda-chuva que representa organizações muçulmanas na Grã-Bretanha, conta com mais de 500 afiliados, incluindo mesquitas, escolas, conselhos locais e regionais, redes profissionais e grupos de defesa.
O grupo acrescentou que "as tentativas de responsabilizar coletivamente os muçulmanos britânicos, ou todos os que defendem os direitos palestinos, pelo aumento do antissemitismo são imprecisas e contraproducentes".
Os comentários, que não nomearam indivíduos, pareciam ter como alvo o governo do Primeiro-Ministro Keir Starmer, que no início desta semana associou os ataques antissemitas aos protestos pró-Palestina contra o genocídio de Israel em Gaza.
O MCB também afirmou que o suspeito acusado de atacar dois homens judeus em 29 de abril havia anteriormente atacado um homem muçulmano, Ishmail Hussein, em sua residência em Southwark.
"É notável que muito menos atenção foi dada ao fato de que o agressor, recentemente liberado de uma unidade psiquiátrica, também atacou um homem muçulmano, Ishmail Hussein, naquela mesma manhã. Isso aponta para uma disparidade que levanta questões sérias", disse a declaração do MCB.
O deputado de Birmingham, Ayoub Khan, também questionou a falta de atenção dispensada à vítima muçulmana. Em uma publicação no X, ele disse: "Três acusações de tentativa de homicídio, e parece que este foi tanto um ataque antissemita quanto islamofóbico. Por que a mídia está ignorando o ataque à vítima muçulmana? Essa disparidade é perturbadora, para dizer o mínimo."
O jornalista Owen Jones também criticou a cobertura, escrevendo: "O quê? Ele foi acusado de TRÊS casos de tentativa de homicídio. A terceira vítima alegada é Ishmail Hussein. Qual é a justificativa editorial para nem sequer afirmar que são três acusações de tentativa de homicídio?"
Em uma declaração separada, a Associação Muçulmana da Grã-Bretanha (MAB) disse que o ataque estava sendo usado para "conduzir um caso já preparado — contra as comunidades muçulmanas, contra a solidariedade palestina, contra o direito à dissidência."
"A islamofobia que tem permeado nossa mídia dominante desde então não é sutil nem incidental. Ela é a própria narrativa", acrescentou.
"Os apelos para proibir as marchas pró-Palestina — enquanto a extrema direita recebe livre passagem pelo centro de Londres — confirmam o que isso representa. Um ataque seletivo às liberdades civis, disfarçado na linguagem da segurança. Quando o ódio é instrumentalizado dessa forma, nenhuma comunidade está segura", concluiu.
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