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Amor pelo Alcorão: Mulher Iemenita Analfabeta Memoriza o Alcorão

22:16 - June 15, 2026
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IQNA – A memorização completa do Alcorão em fitas cassete tocou profundamente a família de Hajiya Maryam, de 82 anos.
Seus 21 filhos e netos, muitos dos quais com diplomas universitários, ficaram maravilhados e cheios de respeito diante do milagre realizado por sua avó analfabeta, que havia conquistado algo que até muitas pessoas instruídas não conseguem.

Segundo reportagem do al-Mushahid, Hajiya Maryam Al-Rumaymah permanece mentalmente ativa apesar de ter mais de 82 anos e de apoiar-se em um corpo frágil que suportou décadas de sofrimento e dificuldades. Seu rosto é sereno enquanto repousa em sua cama de doente, demonstrando que uma vontade forte pode superar os desafios mais difíceis.

Enquanto os detalhes de sua maternidade estão gravados na memória de seu único filho e três filhas, a situação é completamente diferente para seus 21 netos. A imagem que eles têm dela está indissociavelmente ligada a duas cenas: uma avó segurando um gravador e ouvindo atentamente os versículos do Sagrado Alcorão recitados por Fares Ebad; e ela mesma recitando esses mesmos versículos com maestria e precisão.

Essa mulher rural superou seu analfabetismo e memorizou o Alcorão inteiro simplesmente ouvindo.

Na aldeia de Hadnan, localizada ao pé do Monte Sabr, na província de Taiz, no Iêmen, Hajiya Maryam nasceu em uma época em que as oportunidades educacionais para as meninas eram praticamente inexistentes.

O Amor pelo Alcorão: Companheiro Constante da Mãe

"O amor pelo Alcorão foi o companheiro constante de minha mãe desde a meia-idade, um apego inato que preencheu sua vida", contou o Sheikh Mukhtar ao Al-Mushahid. "Sua oração constante e seu maior desejo eram que Deus não a levasse deste mundo antes que ela tivesse memorizado seu Livro Sagrado."

Sem caderno nem caneta, mas com ouvidos atentos e determinação inabalável, ela iniciou sua jornada com a ajuda do professor da aldeia. A rotina diária de Hajiya Maryam baseava-se em uma disciplina rigorosa: após a oração da tarde, ia ao círculo de recitação; entre as orações da noite, iniciava a fase de consolidação da memorização, contando com seu companheiro inseparável — o gravador e as fitas cassete. Horas antes da oração da manhã, acordava para orar e ouvir o Alcorão novamente.

Maryam desenvolveu uma profunda conexão emocional com a voz do Sheikh Faris Ebad. Sempre que terminava de memorizar uma fita, seus filhos corriam para ajudá-la a preparar a próxima. O caminho não foi fácil — ela enfrentou considerável dificuldade para identificar versículos semelhantes —, mas a repetição constante superou esse obstáculo.

Sucesso Após 10 Anos de Companheirismo com o Alcorão

Hajiya Maryam passou 10 longos anos com o Sagrado Alcorão. Em 2016, o momento tão esperado chegou. Quando recitou o último versículo, lágrimas de alegria escorreram por suas faces cansadas e ela fez uma longa prostração de gratidão, tomada pelo orgulho e pela sensação de vitória sobre suas limitações físicas. Naquele momento extraordinário, toda a dor e o sofrimento dos anos desapareceram e uma profunda paz a envolveu.

Em um piscar de olhos, Hajiya Maryam deixou de ser uma mulher idosa e frágil necessitando de cuidados para tornar-se uma figura imponente e inspiradora. O impacto de sua conquista não se limitou à aldeia de Hadnan — ela tornou-se um símbolo inspirador e fonte de orgulho para toda a comunidade iemenita.

Superando a Crise da Guerra no Iêmen

A maior parte dos anos dedicados à memorização do Alcorão transcorreu em meio à brutal guerra e ao sufocante cerco que Taiz suportou. Em meio ao fragor da artilharia, à escassez de recursos e aos constantes cortes de energia, sua pequena casa tornou-se um lugar de paz e uma fonte inesgotável de luz.

O Alcorão tornou-se seu suporte psicológico e refúgio espiritual. Em vez de sucumbir à escuridão das noites sem eletricidade, sua casa era iluminada pelo brilho radiante de sua determinação e recitação — transformando-se em um farol vivo e inspirador para seus vizinhos e comunidade. Um testemunho da capacidade das mulheres rurais iemenitas de criar vida a partir do sofrimento e recomeçar.

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