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A Procissão do Arbaeen: Um Projeto para Cultivar a Dimensão Intelectual e Espiritual da Humanidade

5:33 - August 06, 2026
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IQNA – Um professor universitário iraquiano afirmou que as estações corânicas montadas ao longo da rota de caminhada do Arbaeen comprovam que a peregrinação do Arbaeen não é apenas uma grande reunião, mas um projeto para construir o ser humano intelectual e espiritualmente.

Sheikh Haidar Al-Shammari, professor universitário, docente no Seminário de Najaf e na Universidade Imam Sadiq (AS), e diretor do Centro de Estudos Estratégicos "Taj Al-Hadarah", falou à IQNA sobre a importância da peregrinação do Arbaeen e as dimensões cognitivas desse grande evento espiritual.

Ele afirmou que essa procissão apresenta uma imagem brilhante do Islã como uma religião de misericórdia e dignidade humana.

A entrevista é a seguinte:

IQNA - Qual é a filosofia e a importância da peregrinação do Arbaeen?

Acredito que a peregrinação do Arbaeen representa a maior reunião voluntária anual da humanidade no mundo. Não se trata simplesmente de uma oportunidade para comemorar um evento histórico, mas de um abrangente projeto civilizatório que engloba a continuidade da mensagem do Imam Hussein (AS). O Arbaeen confirma que os valores pelos quais o Imam Hussein (AS) foi martirizado, como a defesa da justiça, a preservação da dignidade humana e a resistência à opressão, permanecem vivos na consciência da Ummah. Essa peregrinação também reflete a profundidade da conexão espiritual com a Ahl-ul-Bayt (a Família do Profeta), transformando o conceito de lealdade de meros sentimentos em comportamento prático baseado no sacrifício, no altruísmo e no serviço à humanidade.

Do ponto de vista social, isso cria um enorme capital social baseado na cooperação, na solidariedade e no trabalho voluntário. Do ponto de vista político, demonstra que as nações capazes de preservar sua memória cultural estão mais bem preparadas para salvaguardar seu futuro.

IQNA - Quais são as etiquetas e recomendações morais e espirituais mais importantes para os peregrinos durante a peregrinação do Arbaeen?

A peregrinação do Arbaeen é uma lição moral antes de ser uma jornada física. Portanto, o peregrino deve observar um conjunto de etiquetas, das quais as mais importantes são: sinceridade de intenção para com Deus Todo-Poderoso, utilizar a jornada para lembrar-se de Deus, recitar o Alcorão e súplicas, cultivar a paciência, o bom caráter e o respeito pelos outros, realizar as orações nos horários estabelecidos, observar a limpeza pública e respeitar a propriedade, evitar o extravagante e a ostentação, que contradizem a santidade da peregrinação, servir aos outros e ser humilde diante deles, pois servir aos peregrinos do Imam Hussein (AS) é um dos maiores atos de adoração, e refletir sobre os objetivos do levante do Imam Hussein (AS) e sua abençoada revolução, para que a peregrinação se torne um ponto de virada para a mudança de comportamento, e não simplesmente a realização de um ritual.

Por isso, sempre enfatizo que o sucesso da peregrinação é medido por seu impacto na personalidade do indivíduo após seu retorno à vida cotidiana.

IQNA - Como o senhor avalia a importância de aprender a recitação correta dos versículos e suratas do Alcorão e das normas islâmicas nas estações corânicas montadas durante a peregrinação do Arbaeen?

Pode-se dizer que essas iniciativas estão entre as conquistas culturais mais importantes da Caminhada do Arbaeen, pois transformam a rota em uma universidade corânica a céu aberto.

O Sagrado Alcorão é a base intelectual do levante do Imam Hussein (AS), que ele próprio declarou ter como objetivo reformar a Ummah do Sagrado Profeta (PBUH), um objetivo inteiramente corânico. Portanto, ensinar a recitação correta do Alcorão, as regras de recitação e os fundamentos jurisprudenciais e doutrinários conecta esse ritual husseinita às suas raízes corânicas.

Essas estações corânicas mostram que a peregrinação do Arbaeen não é apenas uma grande reunião, mas um projeto para o desenvolvimento intelectual e espiritual dos indivíduos, oferecendo a milhões de peregrinos a oportunidade de aprender em uma rica atmosfera de espiritualidade, difícil de reproduzir em outras ocasiões.

IQNA - Qual é o papel da peregrinação do Arbaeen no fortalecimento da aproximação entre as vertentes islâmicas e a unidade da Ummah islâmica?

A peregrinação do Arbaeen possui uma capacidade excepcional de unir os muçulmanos em torno de valores comuns, pois o Imam Hussein (AS) é um símbolo islâmico reverenciado por diferentes vertentes islâmicas. Essa ocasião confirma que a unidade nacional não significa eliminar a diversidade sectária, mas sim cooperar em torno de princípios comuns, incluindo justiça e igualdade, dignidade humana, enfrentamento da injustiça e defesa dos lugares sagrados.

Além disso, a presença diversa de visitantes de diferentes países e vertentes cria um espaço real para o diálogo e a compreensão mútua, rompendo muitos dos estereótipos criados por conflitos políticos ou discursos extremistas.

IQNA - Em sua opinião, qual é a mensagem e a lição principal desse movimento espiritual, e quais são seus impactos culturais e sociais sobre a opinião pública mundial?

A principal mensagem do Arbaeen é que os valores morais são capazes de criar um movimento de massa global sem coerção ou benefícios materiais.

O mundo testemunha milhões de pessoas caminhando centenas de quilômetros com fé e amor, enquanto milhões de outras lhes oferecem serviços gratuitos. Esse é um fenômeno raro na história da humanidade. Culturalmente, a peregrinação do Arbaeen apresenta uma imagem brilhante do Islã como uma religião de misericórdia, solidariedade e dignidade humana. Socialmente, ela promove uma cultura de voluntariado, cooperação, altruísmo e responsabilidade social.

No nível da opinião pública mundial, ela dissipa muitos estereótipos negativos sobre o Islã e apresenta um modelo prático de uma civilização baseada no perdão, não no conflito.

IQNA - Como a participação de seguidores de outras religiões na peregrinação do Arbaeen pode oferecer uma plataforma para o diálogo e a compreensão entre religiões?

Pode-se dizer que a participação de seguidores de diferentes religiões demonstra a universalidade dos valores pelos quais o Imam Hussein (AS) lutou. Justiça, liberdade e a rejeição da injustiça não são valores exclusivos dos muçulmanos, mas valores humanos comuns. Quando um cristão, um mandeu ou outra pessoa participa a serviço dos peregrinos, isso abre uma porta para o diálogo prático, baseado no respeito mútuo e distante de debates teóricos.

Portanto, enfatizamos que o diálogo real começa quando as pessoas cooperam a serviço da humanidade, e é isso que a peregrinação do Arbaeen realiza de forma única.

IQNA - A presença de seguidores de diferentes religiões e nacionalidades no Arbaeen pode ser considerada uma forma de diplomacia pública para difundir uma cultura de paz no mundo?

A peregrinação do Arbaeen pode, sem dúvida, ser considerada um dos exemplos mais notáveis de diplomacia popular ou diplomacia pública. Os participantes, especialmente por virem de países diversos, levam de volta às suas terras natais uma experiência vivida em primeira mão, para além das narrativas midiáticas e políticas.

Essa experiência constrói pontes de confiança entre os povos e apresenta uma imagem realista do Iraque, do Islã e da escola da Ahl-ul-Bayt (a paz esteja com eles), como uma escola que conclama à misericórdia, à justiça e ao serviço à humanidade. Assim, o impacto do Arbaeen transcende as fronteiras religiosas e se torna uma mensagem global para a construção da paz baseada na justiça e no respeito mútuo.

IQNA - Como a experiência de prestar serviços aos peregrinos nos Moukebs Husseinitas (estações de serviço), com a participação de seguidores de diferentes religiões e vertentes, pode oferecer um novo modelo de solidariedade social?

Os Moukebs oferecem um modelo único de solidariedade humana, pois se baseiam em um voluntariado puro, sem discriminação de nacionalidade, vertente ou religião. O serviço durante o Arbaeen não é oferecido com base na identidade, mas na humanidade do indivíduo. Isso reforça o conceito de cidadania moral e afirma que as diferenças religiosas não impedem a cooperação em prol do bem comum.

Esse modelo pode ser estudado por instituições sociais e humanitárias ao redor do mundo, pois demonstra que as sociedades são capazes de criar vastas redes de apoio mútuo e cooperação quando os valores morais são a força motriz.

Em minha opinião, a experiência dos Moukebs Husseinitas representa uma das formas mais bem-sucedidas de solidariedade social contemporânea. Ela oferece ao mundo uma lição prática de altruísmo, convivência e construção de confiança entre as pessoas — valores dos quais a humanidade necessita desesperadamente, dados os conflitos e as polarizações que o mundo vem testemunhando.

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