
Hassan Fadlallah, membro do bloco Lealdade à Resistência do Hezbollah no parlamento, afirmou que o movimento de resistência rejeita qualquer proposta de cessar-fogo parcial e exige a cessação completa das hostilidades em todo o território libanês como condição prévia para a retirada das forças de ocupação israelenses e o retorno dos civis deslocados.
Em declarações ao canal Al Mayadeen, sediado no Líbano, na segunda-feira, Fadlallah revelou que o movimento rejeitou uma proposta de cessar-fogo americana que tentava criar um arranjo de segurança exigindo que o Hezbollah se abstivesse de atacar partes do norte dos territórios ocupados por Israel, em troca do compromisso israelense de não atacar os subúrbios do sul de Beirute, habitados majoritariamente por xiitas — sem a cessação total dos ataques militares israelenses ao Líbano que o Hezbollah exige.
Fadlallah afirmou que novos desdobramentos surgiram na segunda-feira após a intervenção do Irã, referindo-se ao anúncio oficial iraniano advertindo o regime israelense contra a execução de sua ameaça de bombardear os subúrbios do sul de Beirute e pedindo aos residentes do norte dos territórios ocupados que deixem a área antes de operações de retaliação na região.
O parlamentar explicou que o Hezbollah foi informado pelo presidente libanês Joseph Aoun de que o presidente americano Donald Trump havia ligado para o embaixador libanês, solicitando uma cessação mútua dos ataques como passo em direção a um cessar-fogo abrangente.
"Esta questão está sendo acompanhada, e a comunicação com o presidente continua", disse Fadlallah, ressaltando que o Hezbollah está coordenando com o presidente do parlamento, Nabih Berri, para alcançar um cessar-fogo completo. Ele acrescentou que o verdadeiro teste continua sendo a implementação, dada a natureza traiçoeira do inimigo.
"O que importa é que todos alcancemos o que serve aos interesses do nosso país e protege sua soberania. Não aceitaremos um retorno à situação anterior a 2 de março", declarou.
Mais cedo na segunda-feira, logo após o comprometimento do Irã em apoiar os libaneses em caso de ataques israelenses amplos, Trump afirmou a jornalistas ter tido uma conversa "muito produtiva" com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e, por meio de representantes seniores, uma conversa "muito boa" com o Hezbollah. Trump alegou que o Hezbollah concordou em cessar todo fogo, com a condição de que nenhum dos lados ataque o outro. Autoridades israelenses não comentaram nenhum acordo desse tipo.
Mais de 3.300 pessoas foram mortas e cerca de 10.400 ficaram feridas no Líbano desde o início de março, com mais de 1,6 milhão de deslocados. Um cessar-fogo mediado pelo Paquistão entre o Irã e os EUA está em vigor desde o início de abril, e Teerã tem insistido que qualquer cessar-fogo deve abranger também o Líbano.
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