
Segundo o Al-Shorouk, Sheikh Tayeb faleceu aos 92 anos na província de Tizi Ouzou, na Argélia.
Em mensagem de condolências à família do falecido, o ministro argelino de Awqaf, Youssef Belmahdi, afirmou que com seu falecimento a Argélia perdeu uma de suas figuras proeminentes — um homem singular que dedicou sua vida ao serviço da religião e da ciência. O ministro descreveu o estudioso como um imã, mentor e professor que consagrou sua vida ao ensino, à orientação e à difusão dos significados do Sagrado Alcorão.
"Ele teve o privilégio de traduzir o Alcorão na íntegra para a língua amazigh (berbere)", destacou o ministro de Awqaf. A tradução foi aprovada pelo Complexo do Rei Fahd para a Impressão do Sagrado Alcorão, em Medina. A Arábia Saudita também o reconheceu com um prêmio especial em reconhecimento aos seus esforços para difundir os ensinamentos do Alcorão e traduzi-lo para a língua amazigh.
Após sete anos de trabalho sério e silencioso, ele concluiu a tradução e apresentou sua obra em escrita árabe, confirmando com evidências conclusivas que o alfabeto árabe é mais adequado para escrever a língua amazigh do que qualquer outro sistema de escrita.
Uma vida de dedicação
Tayeb nasceu em 1934 na cidade de Ifrahonen, província de Tizi Ouzou, Argélia. Ainda criança, frequentou uma Zawia — escola tradicional de memorização do Alcorão — onde também teve seus primeiros contatos com o árabe. Em 1948, foi à província de Bejaia para aprofundar seus estudos, e em 1953 ingressou na escola Ibn Badis, em Constantine, onde atuou como professor e inspetor no Departamento Nacional de Educação da Argélia.
Engajou-se na revolução argelina (1954–1962) contra o colonialismo francês, sendo preso em 1958, sem jamais abandonar seus estudos do Alcorão durante o encarceramento. Após a independência do país em 1962, continuou sua formação em literatura árabe na universidade, graduando-se em 1966. Atuou em diversas funções, incluindo professor assistente na Universidade de Tizi Ouzou. Em 1985, foi à França como inspetor de assuntos das minorias muçulmanas, permanecendo no cargo por quatro anos.
A língua amazigh é falada principalmente por povos do continente africano, com raízes afro-asiáticas, sendo a Argélia o país com maior número de falantes.

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