O ex-estudante de pós-graduação da Universidade Columbia se tornou o rosto da repressão do governo Trump ao discurso pró-Palestina, após ter sido detido no ano passado. Residente permanente nos EUA, Khalil também está lutando na Justiça contra a tentativa do governo de deportá-lo.
O processo, movido pelo Center for Constitutional Rights em nome de Khalil, afirma que o governo Trump se coordenou com o Betar e o Canary Mission, dois grupos de vigilância online pró-Israel, na seleção dos "alvos da conspiração".
"Este caso é sobre muito mais do que aquilo que fizeram comigo. É sobre uma campanha coordenada e contínua para punir, silenciar e intimidar qualquer pessoa que ouse se manifestar pela libertação da Palestina", disse Khalil nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa que anunciava o processo.
"É sobre expor a rede de organizações, atores políticos e instituições que trabalham juntos para criminalizar a solidariedade com a Palestina e fazer um exemplo daqueles que se recusam a permanecer em silêncio."
O processo de Khalil, protocolado no tribunal federal de Manhattan nesta terça-feira, inclui, entre os réus, diversas altas autoridades do governo Trump, incluindo o assessor sênior da Casa Branca Stephen Miller, o secretário de Estado Marco Rubio e a ex-secretária de Segurança Interna Kristi Noem, além do think tank conservador Heritage Foundation, o Canary Mission e o Betar.
O processo afirma que a Heritage Foundation e dois de seus líderes conduziram a formulação do "Projeto Esther", um esforço que, segundo o processo, "serviu como o modelo" para o que se tornou uma "parceria público-privada" que trabalhava para derrotar o crescente movimento pelos direitos palestinos.
A queixa também afirma que autoridades do governo trabalharam "de mãos dadas" com os grupos "para privar os indivíduos selecionados de seus direitos fundamentais e para transmitir a mensagem intimidadora de que os palestinos e seus apoiadores estariam sujeitos à repressão estatal unicamente por causa de suas identidades e de suas opiniões políticas constitucionalmente protegidas".
O processo está sendo movido com base na Lei da Ku Klux Klan de 1871, originalmente aprovada para combater a violência de grupos de vigilantes por parte da Klan.
As autoridades federais de imigração prenderam Khalil, nascido na Síria, filho de pais palestinos, em março de 2025, devido à sua defesa dos direitos palestinos. Ele foi enviado a um centro de detenção do Immigration and Customs Enforcement na Louisiana, onde ficou detido por 104 dias, período durante o qual perdeu o nascimento de seu filho. Ele é casado com uma cidadã americana.
O governo Trump inicialmente argumentou que Khalil poderia ser deportado porque suas opiniões representavam uma ameaça à política externa dos EUA, com Rubio afirmando, na época, que a presença de Khalil nos EUA teria "consequências adversas para a política externa".
Sua prisão e detenção geraram ampla condenação por parte de grupos de liberdades civis e de liberdade de expressão, e diversas vozes de destaque se manifestaram em seu favor.
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