IQNA

20:38 - August 09, 2026
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O Movimento Corânico das Avós em Vila Egípcia Supera Limites de Idade e Alfabetização

IQNA – Na vila de Al-Sheen, no Egito, as paredes de barro da casa não são as únicas testemunhas da recitação de versículos corânicos.

Aqui, as avós romperam com a tradição. Embora não sejam alfabetizadas, elas estabeleceram um movimento corânico com um coração repleto de entusiasmo, no qual os versículos da revelação são transmitidos de coração para coração. Nessa vila, a alfabetização não é medida pela capacidade de ler letras, mas pelo grau de familiaridade com a Palavra de Deus.

Mulheres da Vila

Enquanto muitas pessoas passam longas horas em conversas intermináveis ou navegando pelas redes sociais, dezenas de senhoras idosas na vila de Al-Sheen, no distrito de Qatour, na província de Gharbia, no Egito, escolheram um caminho diferente; um caminho que começa e termina com os versículos do Alcorão. É um caminho que nem o analfabetismo, nem a velhice, nem as dificuldades da vida cotidiana conseguem impedir; aqui, mulheres — algumas delas com mais de oitenta anos — se uniram com um único objetivo: memorizar o Livro de Deus, oferecendo um exemplo notável de que uma vontade sincera é mais forte do que qualquer obstáculo.

A maioria dessas avós nunca recebeu educação formal, e algumas eram analfabetas; contudo, isso não as impediu de embarcar em uma jornada difícil com o Sagrado Alcorão. Contando com ferramentas simples — de fitas cassete a rádio e televisão, e agora telefones celulares e "canetas falantes" — elas fizeram da memorização do Alcorão parte integrante de sua vida diária.

Uma Missão Abençoada Nascida do Tempo Livre

A história começa com a Hajiya Um Rasha, uma mulher que iniciou sua jornada de familiarização com o Sagrado Alcorão a partir do espaço tranquilo e íntimo de sua casa. Ela contava com a audição frequente de recitações gravadas e a repetição constante dos versículos, para que a palavra divina não ficasse apenas em sua memória, mas se enraizasse profundamente em sua alma e em seu coração. Com o passar do tempo, ela não se contentou em memorizar o Alcorão sozinha, mas decidiu convidar as mulheres de sua vila para se juntarem a ela nesse caminho abençoado.

Esse projeto começou com um pequeno grupo de mulheres se reunindo em sua casa; mas, à medida que o número delas aumentava e faltava espaço, ela dedicou parte do terreno ao lado de sua casa para estabelecer um pequeno centro. Elas se reuniam ali todos os dias para memorizar e revisar os versículos do Alcorão. Esse centro rapidamente se tornou um local de encontro diário para mulheres de todas as idades; de modo que cada uma delas, após realizar as tarefas domésticas e cuidar de seus filhos e netos, se dirigia àquele círculo educacional com o sincero desejo de memorizar novos versículos ou revisar o que já havia aprendido.

À medida que o projeto se expandia, um grupo de jovens mulheres e universitárias formadas da vila se juntou para assumir a responsabilidade de ouvir a recitação das mulheres, corrigir sua pronúncia e ajudar a consolidar sua memorização. Foi uma cena bonita, em que a experiência da geração anterior se mesclava ao entusiasmo dos jovens, e cada geração apoiava a próxima em sua jornada para memorizar o Livro de Deus.

Como o analfabetismo era o maior desafio, as mulheres não se renderam a essa realidade; ao invés disso, inventaram diversos métodos para ajudá-las a memorizar. Algumas ouviam os versículos repetidamente — dezenas de vezes — na televisão ou no rádio, enquanto outras contavam com arquivos de áudio gravados em seus celulares. Além disso, alguns moradores da vila as ajudaram fornecendo "canetas falantes"; uma ferramenta que lhes permitia ouvir os versículos e repeti-los até dominarem completamente a memorização.

Para essas idosas aprendizes do Alcorão, o Sagrado Alcorão deixou de ser apenas um pedaço de papel para recitar; tornou-se uma companhia constante em suas casas, nas fazendas e em seus deslocamentos diários, acompanhando-as em cada detalhe de sua vida cotidiana. Com o tempo, o impacto dessa iniciativa foi além da simples memorização do texto e transformou o estilo de vida de muitas famílias; nesses círculos de memorização do Alcorão, as mulheres encontraram um espaço que as conectava em um bom caminho, preenchia seu tempo livre de forma construtiva e fortalecia o espírito de cooperação e amor entre elas.

Os encontros diários se tornaram uma oportunidade para revisar, incentivar e trocar experiências, substituindo aquelas horas ociosas que, por vezes, davam margem a desavenças ou conversas inúteis, e aquele cantinho aconchegante se tornou um refúgio reconfortante, onde todas podiam encontrar paz de espírito e de coração.

Esse modelo bem-sucedido demonstra que a memorização do Sagrado Alcorão não é domínio exclusivo dos jovens ou daqueles com educação formal; ao contrário, está aberta a qualquer pessoa que deseje sinceramente fazer do Livro de Deus algo seu, independentemente da idade ou do histórico educacional.

Grandmothers’ Quranic Movement in Egyptian Village Overcomes Age, Literacy Limits

Incentivos para Seguir o Caminho

Esse caminho levou a um sucesso notável; muitas mulheres conseguiram memorizar partes significativas do Sagrado Alcorão, e várias outras memorizaram o Alcorão por completo; algumas delas jamais haviam sequer pegado em uma caneta antes.

Essa conquista não passou despercebida pelos moradores da vila; eles se reuniram em torno desse projeto com simpatia e determinação para apoiar plenamente esse movimento corânico. Comerciantes, vendedores e filantropos também se dispuseram a realizar competições periódicas de memorização do Alcorão e a conceder prêmios em dinheiro às melhores participantes, além de uma cerimônia anual para celebrar as mulheres que concluíram a memorização do Alcorão ou fizeram progressos significativos nesse sentido.

Essas celebrações agora transformam a vila de Al-Sheen em um local muito importante; os salões e mesquitas se enchem de gente, e o eco de admiração e gratidão envolve as mulheres que aprenderam a lição da perseverança; as idosas que provaram que a medida da verdadeira conquista não é a idade, mas a força de vontade.

Vários moradores da vila também tomaram a iniciativa de organizar viagens em grupo para a Umrah para aquelas que se destacaram na memorização do Sagrado Alcorão; um gesto considerado uma recompensa digna e merecida por sua longa jornada de familiarização com o Livro de Deus, e um incentivo para continuar nesse caminho.

O impacto desse projeto não se limitou às avós participantes, mas também alcançou suas famílias e netos, que passaram a ver nessas mulheres verdadeiros modelos de trabalho árduo e perseverança. As crianças, com entusiasmo, tomaram a iniciativa de frequentar os círculos de memorização, e muitos jovens, ao verem o sucesso de suas mães e avós em alcançar o que alguns consideravam impossível, se sentiram encorajados a se juntar às aulas de memorização do Alcorão.

A experiência provou que o desenvolvimento humano nem sempre exige recursos enormes; ele depende, acima de tudo, de uma ideia sincera capaz de encontrar seguidores e apoiadores por si mesma. O que começou como uma simples casa cresceu até se tornar um modelo bem-sucedido em nível comunitário, com o apoio e incentivo dos moradores da vila. Como resultado, Al-Sheen se tornou um exemplo brilhante na promoção da cultura de memorização do Sagrado Alcorão entre as mulheres e os idosos egípcios.

Grandmothers’ Quranic Movement in Egyptian Village Overcomes Age, Literacy Limits

A Missão Comunitária de Al-Sheen

Todos os dias, antes do pôr do sol, a "Zawiya" (escola corânica) se enche das vozes ressonantes de mulheres recitando os versículos com respeito e humildade; cada uma segurando um exemplar do Alcorão nas mãos, enquanto o som da revisão e do ensino permeia o ar, uma cena que reflete uma profunda conexão com a Palavra de Deus.

Algumas delas talvez não consigam ler textos escritos, mas conseguiram memorizá-los; é como se seus corações tivessem se tornado páginas que preservam aquilo que seus olhos não puderam captar. Essa é uma história que prova que o conhecimento não está confinado aos limites da escola, que a idade não é uma barreira para o aprendizado, e que, com determinação e força de vontade, é possível recomeçar.

Na vila de Al-Sheen, os círculos de memorização do Alcorão foram além de simples círculos de aprendizado mecânico, tornando-se uma missão de base comunitária; uma missão fundamentada no princípio de que o melhor investimento de tempo é dedicá-lo a coisas que aproximam a pessoa de seu Senhor, e que o tempo ocioso pode ser transformado em energia positiva capaz de deixar um impacto duradouro por anos.

Assim, as senhoras de Al-Sheen continuam sua jornada com o Sagrado Alcorão, provando todos os dias que, quando os corações estão conectados à Palavra de Deus, as dificuldades se tornam mais leves e as barreiras da idade e do analfabetismo são removidas; enquanto isso, a determinação se torna o único caminho para o sucesso, transformando a vila em um exemplo brilhante que traz uma mensagem de esperança a todos aqueles que um dia pensaram ser tarde demais para aprender, memorizar o Alcorão ou começar um novo sonho.

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