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John Esposito: Um Estudioso Que Desafiou a Islamofobia por Meio da Compreensão Civilizacional

6:46 - July 20, 2026
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IQNA – A morte de John L. Esposito, um dos mais proeminentes estudiosos mundiais de estudos islâmicos e professor emérito da Universidade de Georgetown, provocou reações amplas em círculos acadêmicos internacionais.

Esposito morreu na quarta-feira, 15 de julho de 2026, na Filadélfia, aos 86 anos, devido a complicações de uma cirurgia cardíaca.

O Dr. Yahya Jahangiri Sohrvardi, Professor Visitante da Cátedra de Estudos Islâmicos da Universidade Islâmica Internacional da Indonésia (UIII), descreveu Esposito como uma das figuras mais influentes no desenvolvimento dos estudos islâmicos contemporâneos no Ocidente, afirmando que, por mais de cinco décadas, ele buscou apresentar o Islã e os muçulmanos ao público ocidental não pela lente do medo, da violência ou do conflito, mas dentro do contexto mais amplo da história, da civilização, da religião, da política e das realidades vividas pelas sociedades muçulmanas.

A Partida de um Pioneiro dos Estudos Islâmicos Modernos

Além de seu trabalho acadêmico em religião, relações internacionais e estudos islâmicos, Esposito fundou o Centro para o Entendimento Muçulmano-Cristão e foi um dos arquitetos da Bridge Initiative, um importante projeto de pesquisa dedicado ao combate à islamofobia. A própria Universidade de Georgetown o reconheceu como uma das figuras mais influentes na formação dos estudos modernos sobre o Islã e as sociedades muçulmanas.

Da Teologia Cristã aos Estudos Islâmicos

Ao revisar a trajetória acadêmica de Esposito, Jahangiri explicou que ele nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 1940, em uma família católica ítalo-americana. Criado em um ambiente profundamente religioso, Esposito chegou a considerar tornar-se padre durante a juventude. Ele seguiu estudos teológicos e, eventualmente, obteve seu doutorado pela Temple University em 1974.

Segundo Jahangiri, a entrada de Esposito nos estudos islâmicos não fazia parte de um plano de carreira de longo prazo. Como o próprio Esposito relatou em diversas ocasiões, ele foi incentivado pelo chefe de seu departamento a estudar com o renomado estudioso palestino-americano Ismail Raji al-Faruqi. Embora tenha aceitado a sugestão inicialmente com hesitação, o ensino de al-Faruqi transformou profundamente sua compreensão do Islã e da civilização islâmica, redirecionando, em última instância, o rumo de sua vida acadêmica.

O Islã como Parte da Tradição Abraâmica

Jahangiri enfatizou que um dos fundamentos centrais da abordagem intelectual de Esposito era sua convicção de que o Islã não deveria ser ensinado nas universidades ocidentais apenas ao lado de religiões orientais, como o hinduísmo ou o budismo. Ao contrário, tanto de uma perspectiva histórica quanto teológica, deveria ser estudado como parte integrante da tradição abraâmica e em estreita relação com o judaísmo e o cristianismo.

Ele disse que essa perspectiva se tornou uma das pedras angulares do projeto acadêmico de Esposito, que buscava apresentar o Islã não como uma civilização alheia ao Ocidente, mas como uma das três grandes tradições monoteístas do mundo.

Desafiando Estereótipos Dominantes Sobre o Islã

Jahangiri observou que Esposito ingressou no campo dos estudos islâmicos em uma época em que o Islã ainda não havia se tornado um tema dominante na política ou na mídia americana. No entanto, a Revolução Islâmica no Irã, os acontecimentos no Afeganistão, a ascensão de movimentos islâmicos e, mais tarde, os ataques de 11 de setembro transformaram o Islã em um dos temas mais debatidos política e socialmente no mundo.

Ele disse que, ao longo desse período, Esposito desafiou consistentemente duas narrativas predominantes. A primeira retratava o Islã como intrinsecamente violento, incompatível com a democracia e fundamentalmente oposto à civilização ocidental. A segunda tratava todas as sociedades muçulmanas e movimentos islâmicos como uma entidade única e homogênea.

"Na perspectiva de Esposito", disse Jahangiri, "o Islã não é nem monolítico nem desprovido de diversidade. O comportamento de um grupo extremista ou as políticas de um determinado governo muçulmano não podem ser legitimamente atribuídos ao Alcorão, ao Profeta do Islã (que a paz esteja com ele) ou aos muçulmanos como um todo."

Ele acrescentou que Esposito alertou repetidamente que generalizar as ações de uma pequena minoria de extremistas para todo o mundo muçulmano não era apenas academicamente incorreto, mas também contribuía diretamente para a discriminação e a disseminação da islamofobia.

Um Autor Que Moldou Referências Universitárias Sobre o Islã

Ao destacar o histórico acadêmico de Esposito, Jahangiri afirmou que as contribuições acadêmicas do estudioso americano foram excepcionais tanto em escala quanto em influência. Segundo a Universidade de Georgetown, Esposito é autor de mais de 55 livros e mais de 100 artigos acadêmicos, muitos dos quais foram traduzidos para dezenas de idiomas e adotados como livros-texto padrão em universidades ao redor do mundo.

Além de suas próprias obras, ele atuou como editor e editor-geral de algumas das mais importantes obras enciclopédicas da Oxford University sobre estudos islâmicos, dando uma contribuição duradoura ao desenvolvimento institucional da disciplina.

Explicando o Islã Além dos Estereótipos Políticos

Jahangiri afirmou que a produção acadêmica de Esposito foi muito além de apresentar o Islã ao público ocidental. Entre suas obras mais conhecidas está Islam: The Straight Path (O Islã: O Caminho Reto), publicada pela primeira vez em 1988, que se tornou um dos textos introdutórios mais respeitados sobre o Islã.

Ele explicou que, nesse livro, Esposito começa com a vida do Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) e o Alcorão, antes de examinar o desenvolvimento histórico das sociedades muçulmanas, as crenças e rituais islâmicos, os movimentos de reforma e as principais questões que confrontam o mundo muçulmano contemporâneo.

Jahangiri acrescentou que, em Islam and Politics (Islã e Política), Esposito buscou apresentar uma compreensão equilibrada da relação entre religião e política no mundo muçulmano. Ao examinar a interação entre religião e Estado, o surgimento de movimentos islâmicos, o legado do colonialismo e a experiência de governos pós-independência, Esposito argumentou que o Islã político não deveria ser simplesmente equiparado à violência ou ao extremismo. Em vez disso, ele enfatizou a necessidade de distinguir entre movimentos reformistas, eleitorais, revolucionários e militantes.

Ele observou ainda que, em The Islamic Threat: Myth or Reality? (A Ameaça Islâmica: Mito ou Realidade?), Esposito explorou se o Islã havia substituído a União Soviética como o novo adversário do Ocidente após a Guerra Fria. Embora reconhecesse a existência de movimentos extremistas violentos, Esposito sustentava que retratar o "Islã" como um único inimigo distorcia fundamentalmente as complexas realidades do mundo muçulmano.

Jahangiri também mencionou What Everyone Needs to Know About Islam (O Que Todos Precisam Saber Sobre o Islã), dizendo que o livro explica temas como o Alcorão, o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), o status de Jesus e Maria no Islã, o jihad, a Sharia, as mulheres, a democracia e as relações entre muçulmanos e o Ocidente, em um formato claro de perguntas e respostas. Para muitos leitores ocidentais, disse ele, essa obra proporcionou sua primeira introdução sistemática ao Islã, livre da influência de narrativas midiáticas sensacionalistas.

Separando o Islã do Extremismo

Voltando-se para a produção acadêmica de Esposito após o 11 de setembro, Jahangiri afirmou que, em Unholy War: Terror in the Name of Islam (Guerra Profana: Terror em Nome do Islã), Esposito distinguiu claramente entre o conceito islâmico de jihad e o uso ideológico indevido do termo por organizações terroristas.

Ele disse que Esposito argumentava que os textos religiosos, por si só, não podem explicar o extremismo, e que qualquer análise séria também deve levar em conta condições políticas, ocupação militar, repressão interna, fracasso estatal e o generalizado sentimento de discriminação e humilhação vivido em muitas sociedades.

Jahangiri também destacou Who Speaks for Islam? What a Billion Muslims Really Think (Quem Fala pelo Islã? O Que Um Bilhão de Muçulmanos Realmente Pensa), observando que, em vez de se basear em governos ou narrativas midiáticas, Esposito fundamentou o estudo em extensas pesquisas de opinião pública realizadas em todo o mundo muçulmano.

Os resultados, segundo ele, demonstraram que um grande número de muçulmanos, embora permaneçam profundamente comprometidos com sua fé, também buscam justiça, desenvolvimento, participação política e relações respeitosas com o Ocidente. Consequentemente, Esposito concluiu que a noção de um conflito inerente entre o Islã e a democracia é incompatível com as visões reais das populações muçulmanas.

Um Arquiteto de Referências Fundamentais nos Estudos Islâmicos

Jahangiri disse que a contribuição de Esposito não se limitou à autoria de livros influentes. Por meio de sua liderança editorial em importantes obras de referência — incluindo The Oxford Encyclopedia of the Islamic World, The Oxford Encyclopedia of the Modern Islamic World, The Oxford History of Islam, The Oxford Dictionary of Islam e a obra em três volumes The Islamic World: Past and Present — ele desempenhou um papel decisivo na organização e no avanço dos recursos acadêmicos no campo dos estudos islâmicos.

Ele acrescentou que os livros e artigos de Esposito foram traduzidos para 35 idiomas, refletindo seu amplo impacto internacional.

Segundo Jahangiri, a maior contribuição de Esposito não estava apenas em escrever verbetes para essas obras, mas em atuar como um arquiteto acadêmico que reuniu estudiosos com conhecimentos, perspectivas e metodologias diversas para produzir uma compreensão mais abrangente do Islã e das sociedades muçulmanas.

Apresentando o Xiismo Além das Narrativas Políticas Ocidentais

Jahangiri afirmou que, embora Esposito não tivesse formação tradicional como especialista em teologia ou jurisprudência xiita, o xiismo — e particularmente a experiência política e social do Islã xiita no Irã — ocupou um lugar importante em sua produção acadêmica.

Ele apontou The Iranian Revolution: Its Global Impact (A Revolução Iraniana: Seu Impacto Global), publicado em 1990, bem como Iran at the Crossroads (Irã na Encruzilhada), entre as obras mais significativas de Esposito sobre o Irã. Segundo Jahangiri, esses estudos trataram a Revolução Islâmica e os acontecimentos na República Islâmica do Irã não simplesmente como eventos domésticos, mas como fenômenos com importantes implicações regionais e internacionais.

Ele acrescentou que, nas principais obras de referência publicadas sob a supervisão de Esposito, verbetes independentes foram dedicados ao xiismo, ao pensamento político xiita, à Revolução Islâmica, ao Imam Khomeini (que Deus tenha misericórdia dele), ao clero xiita e aos desenvolvimentos políticos e sociais do Irã. Isso, segundo ele, ajudou a estabelecer o xiismo dentro da produção acadêmica ocidental como uma tradição histórica, intelectual e social distinta, e não apenas como um fenômeno político contemporâneo.

Transformando o Diálogo Inter-religioso em Instituições Duradouras

Jahangiri prosseguiu destacando a contribuição de Esposito para o avanço do diálogo inter-religioso, afirmando que uma de suas realizações mais duradouras foi a criação do Centro para o Entendimento Muçulmano-Cristão na Universidade de Georgetown, em 1993.

Ele disse que a importância dessa iniciativa residia no fato de que Georgetown é uma universidade com uma longa herança jesuíta e cristã. Criar um centro acadêmico permanente dedicado ao estudo do Islã e das relações muçulmano-cristãs representou um passo importante rumo à institucionalização do diálogo inter-religioso.

Segundo Jahangiri, o centro gradualmente se desenvolveu para se tornar uma das principais instituições de pesquisa do mundo com foco nas relações Islã-Ocidente, no Islã político, nas comunidades muçulmanas na Europa e nos Estados Unidos, no diálogo inter-religioso e na islamofobia. Ele acrescentou que Esposito também lançou a Bridge Initiative, colocando o estudo acadêmico sistemático das redes islamofóbicas, de seu discurso e de suas consequências sociais na agenda internacional de pesquisa.

O professor visitante observou ainda que, na visão de Esposito, o diálogo muçulmano-cristão não deveria se limitar a encontros simbólicos entre líderes religiosos. Pelo contrário, deveria levar a reformas concretas nos currículos escolares, mudanças no discurso midiático, à formação de diplomatas, a um maior engajamento acadêmico entre sociedades e a esforços práticos para combater a discriminação social.

Conectando Academia, Sociedade e Formulação de Políticas

Jahangiri disse que outra característica marcante da carreira de Esposito foi sua capacidade de conectar a produção acadêmica com a sociedade em geral.

Além de seu trabalho universitário, Esposito atuou como assessor de governos, organizações internacionais, veículos de mídia e instituições de formulação de políticas, permitindo que suas pesquisas e ideias influenciassem o discurso público muito além dos círculos acadêmicos.

Ele acrescentou que Esposito foi o único estudioso a ter presidido tanto a Associação de Estudos do Oriente Médio da América do Norte (MESA) quanto a Academia Americana de Religião. Em reconhecimento às suas contribuições aos estudos islâmicos, à educação e à compreensão pública da religião, ele recebeu sete doutorados honorários, além de numerosos prêmios acadêmicos internacionais.

Um Estudioso Admirado — e Debatido

Jahangiri reconheceu que a abordagem acadêmica de Esposito não era universalmente aceita.

Ele disse que alguns críticos acreditavam que Esposito era excessivamente otimista ao avaliar certos movimentos islamistas, ou que, ao buscar combater a islamofobia, dedicava atenção insuficiente às dimensões autoritárias de algumas correntes políticas islâmicas.

"Apesar dessas críticas", ressaltou Jahangiri, "mesmo os críticos de Esposito não podem negar seu papel decisivo em levar o estudo acadêmico do Islã contemporâneo para o centro das universidades, da mídia e das instituições de formulação de políticas nos Estados Unidos."

Um Legado Além de Livros e Artigos

Ao resumir o legado intelectual de Esposito, Jahangiri disse que ele não era um exegeta do Alcorão no sentido tradicional e acadêmico, nem um jurista, nem um especialista em manuscritos islâmicos. Em vez disso, seu principal campo de estudo se concentrava no Islã contemporâneo, na relação entre religião e política, nas relações Islã-Ocidente, nos movimentos islâmicos, na democracia, na islamofobia e no diálogo inter-religioso.

Ele disse que o legado duradouro de Esposito poderia ser resumido em um princípio fundamental: o Islã e os muçulmanos merecem ser estudados com o mesmo rigor intelectual, nuance e complexidade que os estudiosos aplicam à civilização ocidental, ao cristianismo e às sociedades ocidentais.

Segundo Jahangiri, Esposito acreditava que uma compreensão genuína do Islã só é possível ao superar estereótipos, preconceitos e narrativas simplistas.

Ele acrescentou que, em uma época em que as representações dominantes do Islã em grande parte da mídia ocidental estavam intimamente associadas à guerra, ao terrorismo, à revolução e à crise, Esposito buscou ampliar essa perspectiva, chamando a atenção para o Alcorão, a civilização islâmica, a vida cotidiana dos muçulmanos, a diversidade das escolas de pensamento islâmicas, os intelectuais muçulmanos, as mulheres, os atores da sociedade civil e o rico pluralismo do mundo muçulmano.

Em conclusão, Jahangiri afirmou que a morte de Esposito marca a perda de um estudioso que não era muçulmano nem buscava falar em nome dos muçulmanos, mas que insistia consistentemente que o mundo deveria primeiro compreender o Islã antes de julgá-lo.

"Talvez a maior contribuição de Esposito", concluiu ele, "tenha sido construir uma ponte de conhecimento e diálogo entre um mundo que falava extensamente sobre o Islã e as pessoas que raramente tiveram a oportunidade de se apresentar com sua própria voz."

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