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Sistêmico, Não Esporádico: Relatório de ONG Destaca Agravamento da Hostilidade contra Muçulmanos na Áustria

6:36 - June 13, 2026
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IQNA – O racismo anti-muçulmano na Áustria atingiu seu nível mais alto já registrado, segundo um novo relatório do Centro de Documentação e Assessoria sobre Racismo Anti-Muçulmano (Documentation Centre Austria).

O problema não se limita mais a crimes de ódio isolados, mas configura uma discriminação sistêmica enraizada nas instituições austríacas.

De acordo com o 11º Relatório sobre Racismo Anti-Muçulmano, apresentado na quinta-feira, foram registrados 1.684 incidentes — o número mais alto desde a fundação do centro, em 2014. Entre os casos, há um homicídio com suspeita de motivação anti-muçulmana, sobre o qual o Documentation Centre Austria não fornece mais detalhes em seu relatório.

Segundo a organização, especialistas estimam que o número real de casos não reportados de racismo anti-muçulmano é significativamente maior.

O relatório deste ano, intitulado "Não um Caso Isolado, mas um Sistema", concentra-se nas raízes estruturais do problema, examinando as condições sob as quais o racismo anti-muçulmano surge, é legitimado e se consolida no cotidiano.

Além da política e da mídia, os sistemas de saúde e jurídico também passam a ser alvo de maior escrutínio. O relatório aponta uma conexão com debates políticos, especialmente em torno da chamada política de "tolerância zero" do Partido Popular Austríaco (ÖVP), no poder, bem como a discussão e aprovação de uma proibição do uso do véu para meninas menores de 14 anos.

Os dados do relatório também revelam quais áreas da vida pública moldam significativamente o discurso: o conteúdo midiático responde por 33% dos casos documentados, enquanto a comunicação política representa outros 27,1% — ambas as áreas contribuindo para que narrativas anti-muçulmanas sejam repetidamente retomadas e reforçadas no espaço público.

A organização também ressalta que as mulheres são as mais afetadas: 87% dos casos de discriminação religiosa registrados junto ao Escritório do Comissário para a Igualdade de Tratamento envolvem muçulmanos ou pessoas percebidas como muçulmanas, das quais 90% são mulheres.

Diante desse cenário, o Documentation Centre Austria exige o reconhecimento oficial do racismo anti-muçulmano como problema social, a ampliação de centros de assessoria independentes e medidas mais rigorosas contra a discriminação nas instituições governamentais.

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