O autor, tradutor e pesquisador libanês Haidar Hobbollah publicou um estudo detalhado sobre a história e as dimensões do luto pelo Imam Hussein (AS) em seu site de pesquisa, hobbollah.com. A análise examina como os muçulmanos lamentaram após o martírio do neto do Profeta Muhammad (PBUH) na Batalha de Karbala, em 680 d.C.
Três Estágios do Luto
Segundo a pesquisa de Hobbollah, os rituais de luto pelo Imam Hussein (AS) e pelos mártires de Karbala podem ser divididos em três estágios ao longo dos primeiros cinco séculos do Islã: Primeiro Estágio — Luto Pessoal e Não Institucionalizado; Segundo Estágio — Luto como Prática Religiosa Limitada; Terceiro Estágio — Luto como Fenômeno Social, Ritual Público e Ato Político.
O Luto como Resposta Natural
Hobbollah argumenta que o luto pelo Imam Hussein (AS) inicialmente refletia uma resposta humana natural à tragédia. As fontes históricas indicam que o ano do martírio do Imam Hussein (61 AH / 680 d.C.) ficou conhecido como o "Ano da Tristeza". Hobbollah cita Muwaffaq al-Khwarazmi, que citou o historiador al-Bayhaqi afirmando que o ano sessenta e um foi denominado o Ano da Tristeza. A expressão sugere que o luto por Hussein (AS) tornou-se um fenômeno generalizado, não limitado a poucos indivíduos.
Práticas Iniciais de Luto
Hobbollah documenta vários exemplos iniciais de luto, incluindo relatos do Ibn Tawus descrevendo as consequências imediatas da batalha, com mulheres saindo das tendas descalças e em pranto, pedindo para ser levadas ao local onde o Imam Hussein (AS) foi martirizado.
A pesquisa faz uma importante distinção linguística: "A lamentação é um ato verbal, enquanto golpear o rosto é um ato físico." Hobbollah observa que quando Zaynab (AS) lamentou por Hussein (AS), isso não significava necessariamente que ela golpeou seu rosto — distinção aplicável a todos os textos históricos que descrevem rituais de lamentação.
Primeiras Reuniões Organizadas de Luto
Hobbollah identifica Umm Salama, esposa do Santo Profeta (PBUH), como uma das primeiras mulheres a realizar uma reunião de luto pelo Imam Hussein (AS) em Medina. O luto continuou entre o povo de Medina, o clã Banu Hashim e a família do Profeta (PBUH) por mais de um ano, com alguns relatos históricos indicando que vestiram roupas negras de luto.
O pesquisador também documenta os rituais de luto dos Tawwabin (os Penitentes), que se levantaram em 65 AH / 685 d.C. Segundo o historiador al-Tabari, eles visitaram o túmulo do Imam Hussein (AS) ao amanhecer e permaneceram lá por um dia e uma noite, orando e buscando perdão. "O povo chorou e pranteou junto. Não houve dia com mais choro e lamentação do que aquele dia", registra al-Tabari.

Transição para o Ritual Público
A pesquisa acompanha como o luto pelo Imam Hussein (AS) gradualmente se transformou de expressão privada em commemoração pública organizada. Essa transição foi significativamente influenciada pela ascensão das dinastias xiitas, particularmente os Buídas (Al-e Buyeh), que governaram de 322-448 AH / 933-1056 d.C. Sob o domínio buída, as cerimônias de luto se expandiram das residências privadas para as ruas e mercados, tornando-se eventualmente um símbolo distintivo da identidade xiita.
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